Sobre
um olhar atento, inexpressivo e amplo sou capaz de notar como a vida
funciona. Os passos dados, os perdidos, os medrosos, e até aqueles
que são tão rápidos que quando pisco não os vejo mais. A falta de
ordem me incomoda, mas aceito que não sou eu quem vai organizar,
pelo menos não o mundo todo. Preciso me atentar as coisas
importantes, mas tudo o que me cerca tem seu devido valor, então me
perco e acabo de misturando com muitas outras coisas as quais nem
mesmo esperava ter contato. Sou mutável, evoluo a cada dia e
compreendo cada vez mais algumas atitudes minhas e daqueles que estão
ao meu redor. Não posso julgar, mas muitas vezes ao me expressar
minha retórica vem contida de deduções e inexperiência acerca do
assunto que nem eu mesmo tenho tanta certeza do que estou expressando
ali. Sou humana, errante. Por mais inteligente e articulada que seja
nunca deve-se perder a orientação de ser apenas mais uma pessoa
nesse mundo, nessa vida que nunca saberemos bem o motivo de se estar
aqui.
domingo, 29 de outubro de 2017
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Caixas
Guardar
recordações de momentos, lugares e pessoas que passaram por nós
pode ser uma forma de termos pequenas caixas de saudade, que com o
passar do tempo se enchem de poeira e apenas servem para ocupar um
espaço desnecessário. Durante muitos anos eu guardei várias
caixas, hoje não tenho tanto apego, aprendi a valorizar todo o
espaço que tenho, físico e emocionalmente. A gente começa a viver
bem melhor depois que se entende a real necessidade de todas as
coisas acumuladas, desapegar torna-se algo tão natural como lavar
uma louça. Não falo isso pela moda minimalista a qual passamos, mas
sim por consequência de anos de reflexão sobre meu próprio ser.
Coisas materiais perdem o valor da mesma forma que as relações
afetivas quando não são tão importantes, elas se desgastam
sozinhas apenas com o passar do tempo. Desgastam, desaparecem. Depois
de um bom tempo percebemos o quanto o contato com certas pessoas, ou
a quantidade de objetos acumulados, ou até mesmo hábitos antigos
deixados para trás não nos afetam. Como se nunca estivessem tido
espaço algum em nossas vidas.
Ser
capaz de criar raízes não significa estar de acordo de como tudo ao
seu redor esta, da maneira como se vive e das pessoas as quais te
cercam, mas se sentir inteiramente confortável e satisfeito de como
elas estão. A mudança faz parte do processo dessa busca, ninguém
escapa, não adianta relutar. Hoje me vejo muito melhor do que estava
anos atrás, mas ainda existem muitas coisas que me tiram o sono.
Ficar estagnada, arrastando amigos, namorados e todas as demais
situações inúteis somente nos atrasa como partes de nossa própria
evolução interior. Pense nisso.
terça-feira, 25 de julho de 2017
A dois passos
Ser
uma pessoa reclusa e introspectiva me fez ser capaz de perceber
melhor como são realmente aqueles que me cercam, principalmente se
tratando dos meus amigos. A distância muitas vezes ocorre de forma
natural, ou porque um dos envolvidos muda de cidade em busca de algo
melhor pra si, ou porque mesmo morando na mesma cidade os horários e
compromissos diários impedem a frequência dos encontros. Às vezes
ambos tem essa rotina apertada e hoje em dia quando se tem a
possibilidade de ir pra casa e dormir, ficar com a família, com o
namorado ou até mesmo sozinha certamente será nossa primeira opção,
sem contestar. Digo tudo isso porque esses motivos não definem a
falta de amizade ou até mesmo o rompimento dela, são apenas fatores
que ocorrem na vida louca de qualquer pessoa. A minha vida já foi
assim também, talvez volte a ser e eu terei o conhecimento de que é
algo totalmente normal. O fato é que de tempos em tempos a gente
precisa daquele amigo (a) pra nos tirar da bad e quem sabe
do que eu estou falando concorda que não é qualquer pessoa que nos
serve nesta hora. Geralmente os únicos amigos mais íntimos são os
quais nós precisamos, aqueles que já sabem das nossas recaídas,
tristezas e desesperos. Pra mim uma das “missões” de amigo é
dar essa força nos piores momentos, porque quando tudo esta bem fica
bem fácil ser amigo, não é mesmo? Mas visitar aquele amigo (a) que
diz não estar legal, atender a ligação desesperada daquela pessoa
que tanto te considera e que te busca imediatamente antes que seja
capaz de fazer alguma besteira parece ser um pouco mais complicado.
Talvez tenhamos ideias de amizades diferentes, o que me parece mais
estranho ainda se isso for verdade, uma vez que a definição de
amizade é bem clara: “sentimento de grande afeição, simpatia,
apreço entre pessoas ou entidades.” Tenho a sorte grande de ter
poucos, bem poucos amigos (as) os quais posso contar tanto para os
momentos de crises existenciais como pra uma noite de pizza e filmes.
Eu os amo demais, como grandes irmãos e irmãs de alma. Os respeito,
confio neles e os amo. Pra mim essas três palavras definem bem do
que é feito a amizade. Se ainda existo depois de ter passado por
tantas bads devo muito aos meus sinceros e queridos amigos.
Lutar fica mais fácil quando temos a força advinda de companheiros
que também nos valorizam como humanos, como amigos.
quinta-feira, 17 de março de 2016
Sendo forte
Acredite,
isso aqui ainda vale a pena. Por mais terríveis que possam ser os
seus dias, por mais insatisfeito que estejas com seu trabalho, ou a
falta de um, irritado com seu parceiro, com seus pais, com seus
irmãos, com seus vizinhos, com a humanidade em si, com tantas
questões sem respostas que ainda te perturbam às 2h naquele
silêncio quase absoluto da cidade. Mesmo com tudo isso e muito mais
acredite, isso pode valer muito a pena. As primeiras providências
para se evitar ações errôneas motivadas pelo desespero é falar
com alguém o mais rápido possível, desde que não seja aquela
pessoa babaca que te faz esperar quase 5 minutos por uma resposta ou
para ser atendida ao telefone. Não! Pessoa errada, camarada! Pense
naquela pessoa que sempre esta contigo, aquela na qual tu confias e
tanto te entende nesta vida. Dada as circunstâncias não será
difícil se pensar em quem, pois nessas horas é quase que intuitivo
a lembrança. Já sabe a quem recorrer agora, então basta gritar,
metaforicamente ou não, mas faça! Compartilhe seu desespero, mostre
tudo o que se passa na tua cabecinha complexa e nesse coraçãozinho
tão machucado. Fale tudo, com certeza ela vai te ouvir. Depois de
desabar, aos poucos, preste atenção no que ela te disser. Realmente
leia e interprete cada palavra, ou se for o caso escute. Vá se
acalmando, lembre-se de respirar, isso ajuda e muito nessas horas.
Com o passar dos minutos tu percebes que não precisa disso tudo,
essas lágrimas todas, essa falta de ar... Mas tudo no seu tempo, sem
pressa. Cuidadosamente vá saindo dessa posição fetal angustiante,
sente-se, enxugue essa cara, respire, levante-se e vá tomar um
banho. Quente ou frio, como for de sua preferência, mas sejas
carinhosa consigo mesma, limpe-se, curta-se neste momento de se
livrar das energias negativas, imaginando que todo esse peso vai
caindo assim como a água que vai escorrendo por todo o seu corpo.
Sinta-se mais leve, olhe-se no espelho, repare em ti, quão bela és!
Novamente
conseguistes superar a ti mesma em mais um momento de crise, não
tenhas vergonha de admitir isso. Seja grata pela alma iluminada que
tens ao lado sempre disposta a te ajudar, são esses seres de luz os
quais deves valorizar: amigos sinceros. Pense em todos os momentos
felizes os quais tivestes até agora em tua vida, as pessoas
maravilhosas que tens por perto, até mesmo o cachorro fofinho que se
preocupa contigo ao te ver chorando e pula alegremente quando
retornas para casa. Pense em tudo isso, ainda vale muito a pena estar
viva. Seja forte, fiques bem.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Inquietações - parte 13
Sempre
tão óbvio, ali esta ele novamente
Tentando
sempre se adaptar ao meio, juntar-se aos outros, tornar-se parte do
todo.
Dizem
que ele não se parece com ninguém, mas, mesmo assim, o aceitam.
Será
que a chave para tudo é justamente não ser adaptável?
O
que dizer daquele grupinho que insiste em se prevalecer em tudo a não
ser uma única palavra: hipocrisia.
Como
se isso não bastasse ainda querem que tu aceites absolutamente tudo,
caladinho, sem pensar, sem chorar, sem angustiar... e não ouse em
sair do seu cantinho, hein! Trágico.
Nessa
merda catastrófica que insistem em chamar de vida ele persiste,
muitas vezes nem sabe o motivo, já não sente motivação alguma,
muito menos enxerga sentido em levantar-se diariamente da cama. Mas
ele continua a levantar, tombo após tombo, desprezando com todas as
suas forças o que se denomina por “rotina”, mas faz todos os
dias as mesmas coisas.
domingo, 24 de janeiro de 2016
Sobre recordações e solidão
Ninguém te diz o quanto será difícil nascer, apenas
somos gerados em algum momento, nos formamos durante um período pré determinado
e logo precisamos sair desse aconchegante lugar. Não fazemos ideia do que nos
espera do outro lado, mesmo assim somos condicionados a encarar o percurso. Sozinhos,
desde o princípio de nossa existência. Com isso, qual o motivo de nos sentirmos
incomodados com a solidão? Aquela necessidade de compartilhar bons momentos com
outras pessoas, de participar dos sorrisos, sermos lembrados, não se deixar
prender pela mesmice, sentir-se realmente e incondicionalmente viva. Reparar que
com o passar dos anos muitos se perderam por outros caminhos os quais já não se
encontram com os teus, não deixando nenhum vestígio perdido pelos lugares onde
costumavam estar, ou qualquer resquício de sua existência. Aos poucos também
desaparecendo de nossas mentes, passando de uma vaga lembrança para o total e
absoluto esquecimento.
Hoje me pergunto onde estava com a cabeça quando
decidi guardar e colecionar recordações em objetos materiais. Isso é totalmente
autodestrutivo! Sem contar no acúmulo infinito de coisas as quais apenas uma
pessoa é capaz de reunir ao longo dos anos. Quero me desfazer de tudo isso,
queimar cartas, fotos e presentes os quais já não signifiquem algo realmente
importante para mim. Não preciso passar por tudo outra vez, chorar por motivos
que já não fazem qualquer sentido, trazer à tona sentimentos passados e lembrar
de pessoas as quais não fazem diferença em minha vida hoje. Creio que não
preciso disso para saber que tive uma vida. Quero ser capaz de fazer o
contrário, ter cada vez menos bens materiais, coisas desnecessárias dentro de
minha casa, pessoas descartáveis e mesquinhas ao meu redor e ser. Apenas ser. Se
eu morresse hoje ainda não estaria em paz, e isso sim é um problema. No fim,
assim como no começo, estaremos sozinhos. Não?
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Inquietações - parte 12
Ainda não
consegui compreender muito bem, ou de repente somente aceitar, o distanciamento
entre as pessoas. Conhecidas, no caso. Amigos que outrora eram inseparáveis,
onde havia trocas infinitas de mensagens, encontros, conversas que duravam
horas... Ou aqueles que nem eram tão grudados, porém existia aquele laço
sincero e bonito que mesmo com a distância física jamais se permitia que a
amizade morresse. É desesperador se deparar com a solidão em sua forma mais
intensa possível. Os amigos são aqueles que deixam esse peso mais leve,
preenchendo nossas vidas com momentos memoráveis, nos acolhendo nos momentos
difíceis da vida ou apenas apreciando a companhia mutuamente. Faz falta. Olhar o
horizonte e sentir tanta saudade de pessoas que já não fazem muita questão de
estarem presentes, não importa a forma, entristece.
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