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terça-feira, 25 de julho de 2017

A dois passos

Ser uma pessoa reclusa e introspectiva me fez ser capaz de perceber melhor como são realmente aqueles que me cercam, principalmente se tratando dos meus amigos. A distância muitas vezes ocorre de forma natural, ou porque um dos envolvidos muda de cidade em busca de algo melhor pra si, ou porque mesmo morando na mesma cidade os horários e compromissos diários impedem a frequência dos encontros. Às vezes ambos tem essa rotina apertada e hoje em dia quando se tem a possibilidade de ir pra casa e dormir, ficar com a família, com o namorado ou até mesmo sozinha certamente será nossa primeira opção, sem contestar. Digo tudo isso porque esses motivos não definem a falta de amizade ou até mesmo o rompimento dela, são apenas fatores que ocorrem na vida louca de qualquer pessoa. A minha vida já foi assim também, talvez volte a ser e eu terei o conhecimento de que é algo totalmente normal. O fato é que de tempos em tempos a gente precisa daquele amigo (a) pra nos tirar da bad e quem sabe do que eu estou falando concorda que não é qualquer pessoa que nos serve nesta hora. Geralmente os únicos amigos mais íntimos são os quais nós precisamos, aqueles que já sabem das nossas recaídas, tristezas e desesperos. Pra mim uma das “missões” de amigo é dar essa força nos piores momentos, porque quando tudo esta bem fica bem fácil ser amigo, não é mesmo? Mas visitar aquele amigo (a) que diz não estar legal, atender a ligação desesperada daquela pessoa que tanto te considera e que te busca imediatamente antes que seja capaz de fazer alguma besteira parece ser um pouco mais complicado. Talvez tenhamos ideias de amizades diferentes, o que me parece mais estranho ainda se isso for verdade, uma vez que a definição de amizade é bem clara: “sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades.” Tenho a sorte grande de ter poucos, bem poucos amigos (as) os quais posso contar tanto para os momentos de crises existenciais como pra uma noite de pizza e filmes. Eu os amo demais, como grandes irmãos e irmãs de alma. Os respeito, confio neles e os amo. Pra mim essas três palavras definem bem do que é feito a amizade. Se ainda existo depois de ter passado por tantas bads devo muito aos meus sinceros e queridos amigos. Lutar fica mais fácil quando temos a força advinda de companheiros que também nos valorizam como humanos, como amigos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Pedaços espalhados

“Você não mudou nada, cara. Só a idade que mudou, o resto continua tudo igual”. Lembro-me dele me dizendo isso durante uma de nossas longas e diárias conversas pelo celular. Acho que ele não sabia, mas sempre me preparava para ter todo o tempo livre do mundo para poder ouvi-lo falar, rir e me fazer sonhar. Foi assim durante alguns meses, um contato sagrado o qual estabelecemos quase que como um mantra. Fazia-nos bem, sei disso. “Você não mudou nada”, e de repente tudo mudou pra mim. Da segunda vez pra melhor, quase que como num conto de fadas, mas da terceira posso dizer que se pareceu muito mais como algum poema de Byron. Depressivo, obscuro, confuso, melancólico e desesperador. Foi assim que tudo começou e acabou de novo. Estranho repensar isso depois desses quatro meses. Nostálgico. Sabe, ainda me pego pensando nele, naqueles olhos claros dos quais eu tanto necessitava olhar e que agora ao invés de abrir os meus para os enxergar preciso forçar minhas vistas para relembrar. Dói. Nem faço mais esforço pra esquecer, sei que não é o que meu coração quer. Deixa que o tempo sabe o que fazer, se destrói, se traz de volta ou se me leva junto com ele. Tanto faz, não tenho mais certeza; na verdade é bem provável que eu jamais tenha tido. Quando paro e penso nele sempre me pego sorrindo. Sabe, aquele sorriso frouxo no começo do dia ao acordar, aquele durante a tarde por estar em algum lugar que me faz lembrar, ou ainda à noite antes de pegar no sono. Ele sempre esta comigo, meio louco pensar desta forma, mas é isso que sinto mesmo depois de tanto tempo.  “Você não mudou nada”, realmente não e pelo visto não pretendo mexer nisso tão cedo.