segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Caixas

     Guardar recordações de momentos, lugares e pessoas que passaram por nós pode ser uma forma de termos pequenas caixas de saudade, que com o passar do tempo se enchem de poeira e apenas servem para ocupar um espaço desnecessário. Durante muitos anos eu guardei várias caixas, hoje não tenho tanto apego, aprendi a valorizar todo o espaço que tenho, físico e emocionalmente. A gente começa a viver bem melhor depois que se entende a real necessidade de todas as coisas acumuladas, desapegar torna-se algo tão natural como lavar uma louça. Não falo isso pela moda minimalista a qual passamos, mas sim por consequência de anos de reflexão sobre meu próprio ser. Coisas materiais perdem o valor da mesma forma que as relações afetivas quando não são tão importantes, elas se desgastam sozinhas apenas com o passar do tempo. Desgastam, desaparecem. Depois de um bom tempo percebemos o quanto o contato com certas pessoas, ou a quantidade de objetos acumulados, ou até mesmo hábitos antigos deixados para trás não nos afetam. Como se nunca estivessem tido espaço algum em nossas vidas.
Ser capaz de criar raízes não significa estar de acordo de como tudo ao seu redor esta, da maneira como se vive e das pessoas as quais te cercam, mas se sentir inteiramente confortável e satisfeito de como elas estão. A mudança faz parte do processo dessa busca, ninguém escapa, não adianta relutar. Hoje me vejo muito melhor do que estava anos atrás, mas ainda existem muitas coisas que me tiram o sono. Ficar estagnada, arrastando amigos, namorados e todas as demais situações inúteis somente nos atrasa como partes de nossa própria evolução interior. Pense nisso.

terça-feira, 25 de julho de 2017

A dois passos

Ser uma pessoa reclusa e introspectiva me fez ser capaz de perceber melhor como são realmente aqueles que me cercam, principalmente se tratando dos meus amigos. A distância muitas vezes ocorre de forma natural, ou porque um dos envolvidos muda de cidade em busca de algo melhor pra si, ou porque mesmo morando na mesma cidade os horários e compromissos diários impedem a frequência dos encontros. Às vezes ambos tem essa rotina apertada e hoje em dia quando se tem a possibilidade de ir pra casa e dormir, ficar com a família, com o namorado ou até mesmo sozinha certamente será nossa primeira opção, sem contestar. Digo tudo isso porque esses motivos não definem a falta de amizade ou até mesmo o rompimento dela, são apenas fatores que ocorrem na vida louca de qualquer pessoa. A minha vida já foi assim também, talvez volte a ser e eu terei o conhecimento de que é algo totalmente normal. O fato é que de tempos em tempos a gente precisa daquele amigo (a) pra nos tirar da bad e quem sabe do que eu estou falando concorda que não é qualquer pessoa que nos serve nesta hora. Geralmente os únicos amigos mais íntimos são os quais nós precisamos, aqueles que já sabem das nossas recaídas, tristezas e desesperos. Pra mim uma das “missões” de amigo é dar essa força nos piores momentos, porque quando tudo esta bem fica bem fácil ser amigo, não é mesmo? Mas visitar aquele amigo (a) que diz não estar legal, atender a ligação desesperada daquela pessoa que tanto te considera e que te busca imediatamente antes que seja capaz de fazer alguma besteira parece ser um pouco mais complicado. Talvez tenhamos ideias de amizades diferentes, o que me parece mais estranho ainda se isso for verdade, uma vez que a definição de amizade é bem clara: “sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades.” Tenho a sorte grande de ter poucos, bem poucos amigos (as) os quais posso contar tanto para os momentos de crises existenciais como pra uma noite de pizza e filmes. Eu os amo demais, como grandes irmãos e irmãs de alma. Os respeito, confio neles e os amo. Pra mim essas três palavras definem bem do que é feito a amizade. Se ainda existo depois de ter passado por tantas bads devo muito aos meus sinceros e queridos amigos. Lutar fica mais fácil quando temos a força advinda de companheiros que também nos valorizam como humanos, como amigos.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Sendo forte

     Acredite, isso aqui ainda vale a pena. Por mais terríveis que possam ser os seus dias, por mais insatisfeito que estejas com seu trabalho, ou a falta de um, irritado com seu parceiro, com seus pais, com seus irmãos, com seus vizinhos, com a humanidade em si, com tantas questões sem respostas que ainda te perturbam às 2h naquele silêncio quase absoluto da cidade. Mesmo com tudo isso e muito mais acredite, isso pode valer muito a pena. As primeiras providências para se evitar ações errôneas motivadas pelo desespero é falar com alguém o mais rápido possível, desde que não seja aquela pessoa babaca que te faz esperar quase 5 minutos por uma resposta ou para ser atendida ao telefone. Não! Pessoa errada, camarada! Pense naquela pessoa que sempre esta contigo, aquela na qual tu confias e tanto te entende nesta vida. Dada as circunstâncias não será difícil se pensar em quem, pois nessas horas é quase que intuitivo a lembrança. Já sabe a quem recorrer agora, então basta gritar, metaforicamente ou não, mas faça! Compartilhe seu desespero, mostre tudo o que se passa na tua cabecinha complexa e nesse coraçãozinho tão machucado. Fale tudo, com certeza ela vai te ouvir. Depois de desabar, aos poucos, preste atenção no que ela te disser. Realmente leia e interprete cada palavra, ou se for o caso escute. Vá se acalmando, lembre-se de respirar, isso ajuda e muito nessas horas. Com o passar dos minutos tu percebes que não precisa disso tudo, essas lágrimas todas, essa falta de ar... Mas tudo no seu tempo, sem pressa. Cuidadosamente vá saindo dessa posição fetal angustiante, sente-se, enxugue essa cara, respire, levante-se e vá tomar um banho. Quente ou frio, como for de sua preferência, mas sejas carinhosa consigo mesma, limpe-se, curta-se neste momento de se livrar das energias negativas, imaginando que todo esse peso vai caindo assim como a água que vai escorrendo por todo o seu corpo. Sinta-se mais leve, olhe-se no espelho, repare em ti, quão bela és!


   Novamente conseguistes superar a ti mesma em mais um momento de crise, não tenhas vergonha de admitir isso. Seja grata pela alma iluminada que tens ao lado sempre disposta a te ajudar, são esses seres de luz os quais deves valorizar: amigos sinceros. Pense em todos os momentos felizes os quais tivestes até agora em tua vida, as pessoas maravilhosas que tens por perto, até mesmo o cachorro fofinho que se preocupa contigo ao te ver chorando e pula alegremente quando retornas para casa. Pense em tudo isso, ainda vale muito a pena estar viva. Seja forte, fiques bem.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Inquietações - parte 13

Sempre tão óbvio, ali esta ele novamente
Tentando sempre se adaptar ao meio, juntar-se aos outros, tornar-se parte do todo.
Dizem que ele não se parece com ninguém, mas, mesmo assim, o aceitam.
Será que a chave para tudo é justamente não ser adaptável?
O que dizer daquele grupinho que insiste em se prevalecer em tudo a não ser uma única palavra: hipocrisia.
Como se isso não bastasse ainda querem que tu aceites absolutamente tudo, caladinho, sem pensar, sem chorar, sem angustiar... e não ouse em sair do seu cantinho, hein! Trágico.

Nessa merda catastrófica que insistem em chamar de vida ele persiste, muitas vezes nem sabe o motivo, já não sente motivação alguma, muito menos enxerga sentido em levantar-se diariamente da cama. Mas ele continua a levantar, tombo após tombo, desprezando com todas as suas forças o que se denomina por “rotina”, mas faz todos os dias as mesmas coisas.


domingo, 24 de janeiro de 2016

Sobre recordações e solidão

Ninguém te diz o quanto será difícil nascer, apenas somos gerados em algum momento, nos formamos durante um período pré determinado e logo precisamos sair desse aconchegante lugar. Não fazemos ideia do que nos espera do outro lado, mesmo assim somos condicionados a encarar o percurso. Sozinhos, desde o princípio de nossa existência. Com isso, qual o motivo de nos sentirmos incomodados com a solidão? Aquela necessidade de compartilhar bons momentos com outras pessoas, de participar dos sorrisos, sermos lembrados, não se deixar prender pela mesmice, sentir-se realmente e incondicionalmente viva. Reparar que com o passar dos anos muitos se perderam por outros caminhos os quais já não se encontram com os teus, não deixando nenhum vestígio perdido pelos lugares onde costumavam estar, ou qualquer resquício de sua existência. Aos poucos também desaparecendo de nossas mentes, passando de uma vaga lembrança para o total e absoluto esquecimento.

Hoje me pergunto onde estava com a cabeça quando decidi guardar e colecionar recordações em objetos materiais. Isso é totalmente autodestrutivo! Sem contar no acúmulo infinito de coisas as quais apenas uma pessoa é capaz de reunir ao longo dos anos. Quero me desfazer de tudo isso, queimar cartas, fotos e presentes os quais já não signifiquem algo realmente importante para mim. Não preciso passar por tudo outra vez, chorar por motivos que já não fazem qualquer sentido, trazer à tona sentimentos passados e lembrar de pessoas as quais não fazem diferença em minha vida hoje. Creio que não preciso disso para saber que tive uma vida. Quero ser capaz de fazer o contrário, ter cada vez menos bens materiais, coisas desnecessárias dentro de minha casa, pessoas descartáveis e mesquinhas ao meu redor e ser. Apenas ser. Se eu morresse hoje ainda não estaria em paz, e isso sim é um problema. No fim, assim como no começo, estaremos sozinhos. Não?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Inquietações - parte 12

   Ainda não consegui compreender muito bem, ou de repente somente aceitar, o distanciamento entre as pessoas. Conhecidas, no caso. Amigos que outrora eram inseparáveis, onde havia trocas infinitas de mensagens, encontros, conversas que duravam horas... Ou aqueles que nem eram tão grudados, porém existia aquele laço sincero e bonito que mesmo com a distância física jamais se permitia que a amizade morresse. É desesperador se deparar com a solidão em sua forma mais intensa possível. Os amigos são aqueles que deixam esse peso mais leve, preenchendo nossas vidas com momentos memoráveis, nos acolhendo nos momentos difíceis da vida ou apenas apreciando a companhia mutuamente. Faz falta. Olhar o horizonte e sentir tanta saudade de pessoas que já não fazem muita questão de estarem presentes, não importa a forma, entristece. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Esqueça

Acredito no arrependimento, depois de certo tempo somos capazes de avaliar com mais calma determinados assuntos e nos depararmos com escolhas erradas, palavras ditas sem necessidade, oportunidades perdidas e tudo mais. De certa forma, faz parte do processo de amadurecimento. Porém seria muito egoísmo de nossa parte, até mesmo infantilidade, esperar que, ao se tratar de outras pessoas, esperarmos outra chance. Ninguém é obrigado a nos conceder isso, em hipótese alguma. Tudo bem que depende muito mais da pessoa em questão, eu mesma já fui flexível neste aspecto inúmeras vezes, mas em determinada altura da vida, depois de tantas tentativas a gente acaba desistindo. Sabe, deixando o vento levar pra outra direção. O desgaste é bem mais relevante do que persistir novamente em uma situação que já te tomou tanto tempo e esforço. Da mesma maneira que eu decido por fim a determinado assunto envolvendo outra pessoa, por exemplo, o outro em questão também esta no seu direito de prosseguir tentando. Não é uma questão de certo ou errado, isso é relativo aqui, o que esta em foco é a decisão de cada um, as quais devem ser respeitadas. Resolvido isso o que sobrar, como insistências de uma das partes, serão apenas tentativas vazias e errôneas. Se aqui cabe um bom conselho: não insista, apenas esqueça.
Talvez estejas me questionando sobre os sentimentos que estão inseridos neste caso, de como ser capaz de conviver sob tal pressão psicológica, tortura mental, saudade... Pois novamente te digo: esqueça. Não que seja fácil, ainda mais se fores um daqueles sentimentais dramáticos (bem perto do que sou) onde tudo faz lembrar, reviver, adoecer, sofrer. Por mais horrível que seja, esqueça. Acredite, o tempo ajuda bastante, mas não espere que ele faça tudo. Comece a fazer as coisas habituais de uma forma diferente. Mude o caminho, os ambientes, conheça pessoas, lugares. Perca tempo com coisas triviais ao seu ver, quem sabe em uma dessas tu comeces a perceber quantas coisas existiam sempre bem ao seu redor e nunca percebestes. Tente, esvazie a mente, liberte este coração e viva. Se cuide, seja cauteloso, mas não deixe de viver por conta disso. Todos estamos cada vez mais próximos de não mais existir, qual o sentido de não estarmos abertos e propensos ao desconhecido?