quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A verdade que assombra

Sempre ouvi e li pessoas dizendo o quanto era “duro” ser adulto e que ninguém te falava a “real”. Hoje eu entendo as duas coisas. Ninguém quer falar como a vida muda totalmente quando tu precisas pagar as próprias contas, comprar comida e produtos de higiene, limpeza e todo o resto pra sobreviver, muito menos o quão desorientado tu ficas quando percebes que és o único responsável por sua vida. Isso é pesado demais! Liberdade por vezes é muita responsabilidade pra uma cabeça que mal se “achou” no mundo, e com isso vem mais um mar de outros questionamentos a serem feitos. Basicamente uma questão que leva à outra que aflora outra em um ciclo infindável de questões, e tudo isso na tua própria cabeça, a mesma que nem sabe cozinhar um feijão sem queimar!
Não basta ser uma pessoa “ferrada” dentro desse sistema que te suga, te constrói para render algo em benefício dos próprios malditos que estão no poder, te fazendo acreditar que precisas “ser alguém”, estudar, ter um emprego, ter sucesso, ter dinheiro e conseguir a tão almejada felicidade. Esse sistema que instaura em ti uma ansiedade sem fim e a instabilidade emocional recorrente, te fazendo acreditar que não passas de um m* por não ter títulos, por não ter passado naquele concurso, por não conseguir lidar com as suas próprias emoções e/ou por não conseguir agradar todo mundo. Em meio a tudo isso tu ainda tens que “saber lidar”com o fato de ser mulher. Ah! Coitadinha dela! Não esta no padrão de beleza, ninguém vai querer “ficar”com ela, ou dar uma oportunidade de emprego por ser gorda, ou por ser alta, por ser negra ou por ter alguma deficiência, ela não serve. Não interessa se ela é inteligente, o que importa é que não esta no padrão. A vida bera os trinta e o que tu fez dela? Qual é o plano? Ainda não casou, nem teve filhos, não consegue parar de ser tão triste...

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Reticências

A respiração nunca me foi de tamanha importância como é agora, talvez essa seja uma das razões pelas quais coloquei meu primeiro cigarro na boca. Adolescência rebelde, conturbada e doida, a gente sempre acaba pagando por ela alguns anos mais tarde. Arrependimento? Não, claro que não. Se eu não tivesse feito antes com toda a certeza faria agora e as chances de ser pior…
Eu e minha eterna conexão sensorial com meu passado que fica pior quando se mora em uma cidadezinha do interior como aqui. As pessoas não vão embora nunca, mesmo quando a oportunidade aparece. Ou pior, voltam. Eu ainda espero ter essa chance…
Como forma de perceber todo o crescimento o qual alcancei durante os anos fico retornando ao passado, não como forma de saudosismo, apenas como um diário onde estão marcados os pontos relevantes de minha vida. O ser humano tem isso, não consegue ver sua própria evolução dentro de um período. Talvez por isso que nunca nos contentemos com o que temos…
Como minha mãe sempre diz: “você sabia que não seria fácil...”

domingo, 29 de outubro de 2017

Inquietações - parte 14

Sobre um olhar atento, inexpressivo e amplo sou capaz de notar como a vida funciona. Os passos dados, os perdidos, os medrosos, e até aqueles que são tão rápidos que quando pisco não os vejo mais. A falta de ordem me incomoda, mas aceito que não sou eu quem vai organizar, pelo menos não o mundo todo. Preciso me atentar as coisas importantes, mas tudo o que me cerca tem seu devido valor, então me perco e acabo de misturando com muitas outras coisas as quais nem mesmo esperava ter contato. Sou mutável, evoluo a cada dia e compreendo cada vez mais algumas atitudes minhas e daqueles que estão ao meu redor. Não posso julgar, mas muitas vezes ao me expressar minha retórica vem contida de deduções e inexperiência acerca do assunto que nem eu mesmo tenho tanta certeza do que estou expressando ali. Sou humana, errante. Por mais inteligente e articulada que seja nunca deve-se perder a orientação de ser apenas mais uma pessoa nesse mundo, nessa vida que nunca saberemos bem o motivo de se estar aqui.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Caixas

     Guardar recordações de momentos, lugares e pessoas que passaram por nós pode ser uma forma de termos pequenas caixas de saudade, que com o passar do tempo se enchem de poeira e apenas servem para ocupar um espaço desnecessário. Durante muitos anos eu guardei várias caixas, hoje não tenho tanto apego, aprendi a valorizar todo o espaço que tenho, físico e emocionalmente. A gente começa a viver bem melhor depois que se entende a real necessidade de todas as coisas acumuladas, desapegar torna-se algo tão natural como lavar uma louça. Não falo isso pela moda minimalista a qual passamos, mas sim por consequência de anos de reflexão sobre meu próprio ser. Coisas materiais perdem o valor da mesma forma que as relações afetivas quando não são tão importantes, elas se desgastam sozinhas apenas com o passar do tempo. Desgastam, desaparecem. Depois de um bom tempo percebemos o quanto o contato com certas pessoas, ou a quantidade de objetos acumulados, ou até mesmo hábitos antigos deixados para trás não nos afetam. Como se nunca estivessem tido espaço algum em nossas vidas.
Ser capaz de criar raízes não significa estar de acordo de como tudo ao seu redor esta, da maneira como se vive e das pessoas as quais te cercam, mas se sentir inteiramente confortável e satisfeito de como elas estão. A mudança faz parte do processo dessa busca, ninguém escapa, não adianta relutar. Hoje me vejo muito melhor do que estava anos atrás, mas ainda existem muitas coisas que me tiram o sono. Ficar estagnada, arrastando amigos, namorados e todas as demais situações inúteis somente nos atrasa como partes de nossa própria evolução interior. Pense nisso.

terça-feira, 25 de julho de 2017

A dois passos

Ser uma pessoa reclusa e introspectiva me fez ser capaz de perceber melhor como são realmente aqueles que me cercam, principalmente se tratando dos meus amigos. A distância muitas vezes ocorre de forma natural, ou porque um dos envolvidos muda de cidade em busca de algo melhor pra si, ou porque mesmo morando na mesma cidade os horários e compromissos diários impedem a frequência dos encontros. Às vezes ambos tem essa rotina apertada e hoje em dia quando se tem a possibilidade de ir pra casa e dormir, ficar com a família, com o namorado ou até mesmo sozinha certamente será nossa primeira opção, sem contestar. Digo tudo isso porque esses motivos não definem a falta de amizade ou até mesmo o rompimento dela, são apenas fatores que ocorrem na vida louca de qualquer pessoa. A minha vida já foi assim também, talvez volte a ser e eu terei o conhecimento de que é algo totalmente normal. O fato é que de tempos em tempos a gente precisa daquele amigo (a) pra nos tirar da bad e quem sabe do que eu estou falando concorda que não é qualquer pessoa que nos serve nesta hora. Geralmente os únicos amigos mais íntimos são os quais nós precisamos, aqueles que já sabem das nossas recaídas, tristezas e desesperos. Pra mim uma das “missões” de amigo é dar essa força nos piores momentos, porque quando tudo esta bem fica bem fácil ser amigo, não é mesmo? Mas visitar aquele amigo (a) que diz não estar legal, atender a ligação desesperada daquela pessoa que tanto te considera e que te busca imediatamente antes que seja capaz de fazer alguma besteira parece ser um pouco mais complicado. Talvez tenhamos ideias de amizades diferentes, o que me parece mais estranho ainda se isso for verdade, uma vez que a definição de amizade é bem clara: “sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades.” Tenho a sorte grande de ter poucos, bem poucos amigos (as) os quais posso contar tanto para os momentos de crises existenciais como pra uma noite de pizza e filmes. Eu os amo demais, como grandes irmãos e irmãs de alma. Os respeito, confio neles e os amo. Pra mim essas três palavras definem bem do que é feito a amizade. Se ainda existo depois de ter passado por tantas bads devo muito aos meus sinceros e queridos amigos. Lutar fica mais fácil quando temos a força advinda de companheiros que também nos valorizam como humanos, como amigos.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Sendo forte

     Acredite, isso aqui ainda vale a pena. Por mais terríveis que possam ser os seus dias, por mais insatisfeito que estejas com seu trabalho, ou a falta de um, irritado com seu parceiro, com seus pais, com seus irmãos, com seus vizinhos, com a humanidade em si, com tantas questões sem respostas que ainda te perturbam às 2h naquele silêncio quase absoluto da cidade. Mesmo com tudo isso e muito mais acredite, isso pode valer muito a pena. As primeiras providências para se evitar ações errôneas motivadas pelo desespero é falar com alguém o mais rápido possível, desde que não seja aquela pessoa babaca que te faz esperar quase 5 minutos por uma resposta ou para ser atendida ao telefone. Não! Pessoa errada, camarada! Pense naquela pessoa que sempre esta contigo, aquela na qual tu confias e tanto te entende nesta vida. Dada as circunstâncias não será difícil se pensar em quem, pois nessas horas é quase que intuitivo a lembrança. Já sabe a quem recorrer agora, então basta gritar, metaforicamente ou não, mas faça! Compartilhe seu desespero, mostre tudo o que se passa na tua cabecinha complexa e nesse coraçãozinho tão machucado. Fale tudo, com certeza ela vai te ouvir. Depois de desabar, aos poucos, preste atenção no que ela te disser. Realmente leia e interprete cada palavra, ou se for o caso escute. Vá se acalmando, lembre-se de respirar, isso ajuda e muito nessas horas. Com o passar dos minutos tu percebes que não precisa disso tudo, essas lágrimas todas, essa falta de ar... Mas tudo no seu tempo, sem pressa. Cuidadosamente vá saindo dessa posição fetal angustiante, sente-se, enxugue essa cara, respire, levante-se e vá tomar um banho. Quente ou frio, como for de sua preferência, mas sejas carinhosa consigo mesma, limpe-se, curta-se neste momento de se livrar das energias negativas, imaginando que todo esse peso vai caindo assim como a água que vai escorrendo por todo o seu corpo. Sinta-se mais leve, olhe-se no espelho, repare em ti, quão bela és!


   Novamente conseguistes superar a ti mesma em mais um momento de crise, não tenhas vergonha de admitir isso. Seja grata pela alma iluminada que tens ao lado sempre disposta a te ajudar, são esses seres de luz os quais deves valorizar: amigos sinceros. Pense em todos os momentos felizes os quais tivestes até agora em tua vida, as pessoas maravilhosas que tens por perto, até mesmo o cachorro fofinho que se preocupa contigo ao te ver chorando e pula alegremente quando retornas para casa. Pense em tudo isso, ainda vale muito a pena estar viva. Seja forte, fiques bem.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Inquietações - parte 13

Sempre tão óbvio, ali esta ele novamente
Tentando sempre se adaptar ao meio, juntar-se aos outros, tornar-se parte do todo.
Dizem que ele não se parece com ninguém, mas, mesmo assim, o aceitam.
Será que a chave para tudo é justamente não ser adaptável?
O que dizer daquele grupinho que insiste em se prevalecer em tudo a não ser uma única palavra: hipocrisia.
Como se isso não bastasse ainda querem que tu aceites absolutamente tudo, caladinho, sem pensar, sem chorar, sem angustiar... e não ouse em sair do seu cantinho, hein! Trágico.

Nessa merda catastrófica que insistem em chamar de vida ele persiste, muitas vezes nem sabe o motivo, já não sente motivação alguma, muito menos enxerga sentido em levantar-se diariamente da cama. Mas ele continua a levantar, tombo após tombo, desprezando com todas as suas forças o que se denomina por “rotina”, mas faz todos os dias as mesmas coisas.