segunda-feira, 21 de abril de 2014

Respire

Não seja apenas mais um, seja real,
Tenha sentimentos reais, atitudes reais,
Deixe o vento bater em tua face, mas realmente o sinta,
Pegue-se rindo incontrolavelmente com alguém,
Permita-se!
Olhe bem nos olhos dela e perceba a imensidão que existe ali dentro,
Seja capaz de entendê-la, de ouvi-la, de amá-la,
Não se esqueça de que ela fará o mesmo por de ti.

Se pensar muito talvez se perca toda a essência da situação,
Não permita que aquele momento seja quebrado, esteja inteiramente nele,
Deixe o medo se esvair pelo ar,
Percorrendo todo seu corpo, seu coração,
E indo embora através de sua respiração.

Não temos controle, lembre-se que o poder é ilusório,
Algo que perdura por anos pode vir a durar séculos,
Jogue-se naquilo que lhe atrai,

Viva e permita-se viver.

domingo, 13 de abril de 2014

Somos quem podemos ser?

Sempre ouço (e até me pego dizendo) que todo mundo muda com o tempo, amadurece, torna-se uma pessoa melhor, mas estive refletindo seriamente sobre esse conceito. Estou quase convencida de que aquilo que nos tornamos durante a adolescência, tudo o que pensamos, o que tomamos como parte de nosso ser, nossas atitudes conosco e com as outras pessoas podem permanecer em nós para sempre. É nesta fase que, de certa forma, moldamos nossa essência como ser humano, começamos a pensar naquilo que realmente nos faz algum sentido e que nunca mais esqueceremos. Claro que na minha época de adolescência eu não fazia ideia dessas minhas concepções presentes, estava tão focada vivendo intensamente cada momento, aquela efervescência da idade, cada novidade que aparecia diante de mim que o que menos me chamaria atenção seria qualquer coisa relacionada com o que eu me tornaria. Mas o fato é que hoje consigo perceber com certa clareza de fatos e ideias o que me disponho a escrever aqui.
Uma pessoa que faz coisas ruins para ela e para os outros durante toda a vida pode ser comparada com alguém que jamais fez algo ruim, mas que dada determinada circunstância o faz. As pessoas não deixam de carregar a bagagem de suas vidas, de seus pensamentos e emoções somente por um desejo de mudança, tudo continua ali, mesmo que bem escondido nelas mesmas, talvez apenas esperando uma chance de se revelar. Algumas pessoas não se importam com a vida alheia, não dão valor para o sofrimento do outro, muito menos se dispõem a ajudar quando podem. É assim que pensam, não fazendo diferença “serem úteis” ou agradáveis com os outros, sem exceção.
O ponto onde eu quero chegar é que por conta dessa falta de possibilidade de mudança muitas vezes pensamos que nos tornamos pessoas totalmente diferentes do que um dia já fomos, mas isso sim é uma grande loucura. Claro que creio no amadurecimento dos pensamentos, das ações, dos objetivos... enfim! Na capacidade de evolução humana dentro de qualquer situação, somente focando no esforço e desejo de não se deixar estagnar com o passar dos anos. A questão é que nossa essência nunca muda, nossos princípios que fazem parte de nós desde cedo, nosso modo de ver a vida, de encarar os fatos inexplicáveis e continuar buscando questionamentos que nos assombram, isso nunca muda. Estou afirmando tudo isso com a única certeza de quem eu sou hoje e de como todos esses aspectos que citei ainda continuam vivos em mim.

Não sei se é sorte ou azar, mas tenho tantas coisas mal resolvidas do meu passado que já não me surpreendo quando me pego com aquele sentimento nostálgico pairando intensamente sobre mim. Talvez nem seja questão de bem ou mal resolvida, apenas uma forma da vida me mostrar que este ou aquele assunto, esta ou aquela pessoa não deveria ter se distanciado de mim, que nossa história não deveria ter acabado do modo como acabou, essas dúvidas infinitas que com o tempo a única importância realmente é fazer aquilo que meu coração mostra que me deixará em paz. Sabe como é, consciência tranquila e sonhos leves durante o sono. Transparecer o que realmente somos, sem fingir, sem enganar, apenas ser o que somos é um grande passo para uma vida menos infeliz. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Inquietações - parte 3

     A inconstância de jamais nos tornarmos reflexos de outros corpos, de outras mentes, de outros corações acaba nos perseguindo durante toda a vida. O medo de que ninguém nos consiga enxergar, sentir, querer... nos perturba até mesmo nos sonhos. Quantas horas somos capazes de cogitar o próximo passo, e de repente percebermos que aquele instante, aquela oportunidade simplesmente se foi entre nossos dedos? Somos instigados a cada novo passo, a cada novo olhar perdido na rua durante o simples trajeto cotidiano, não percebemos todos que estão ao nosso lado, mesmo que sem alarde. Deixamos de lado tantas coisas das quais algum dia iremos acabar chorando por nunca termos tido a oportunidade de fazer, conhecer, experimentar, sendo que o que realmente houve nos foi falta total de atenção.

     Quantas tentativas a felicidade nos estampa na cara, nos joga aquele balde de água fria para que sejamos capazes de finalmente ver qual o caminho a seguir e corremos medrosos, desatentos, cansados. A vida pode querer nos testar, nos preparar por anos para que em um dia comum, em obrigações comuns finalmente pegamos aquele caminho mais tortuoso, cheio de pedras e que nos torna “pessoas erradas” perante o resto da sociedade dada as circunstâncias pouco aceitáveis. Mas  tu pensas que talvez seja isso, que o resto não tenha importância nenhuma, afinal é sua vida, sua escolha, seu coração. Por que não?

sábado, 29 de março de 2014

Eles

   Ela liga o notebook crente de que irá ser mais uma jornada incessante de produtividade, muitos textos para revisar, e-mail para responder, pessoas aguardando sua resposta para futuros projetos, eventos que talvez a interesse e alguns novos contatos desejando sua aceitação. Faz questão de colocar tudo em ordem antes de iniciar novos afazeres, então separa um bom tempo somente para que ninguém fique sem sua resposta, mesmo que for apenas uma mensagem carinhosa de um de seus amigos no chat. Feito isso, abre uma nova página do Word e deixa-se levar por aquilo que primeiro lhe vier à mente. Normalmente escrever textos já direcionados não funciona muito bem com ela, pensa que isso pode ser algum tipo de frequência entre sua veia inspiradora e suas convicções, mas não tem muita certeza.
   Diante da página vazia começam a serem inseridas as primeiras palavras, sentindo a confusão entre pensamentos, sentimentos e ideias vagas a envolverem tão profundamente que seus dedos mal conseguem acompanhar aquele passo frenético em que ela se encontra. Mas sem medo aquela linha torna-se um parágrafo, que logo se multiplicam e enchem páginas e páginas inteiras transbordando gotas de sua essência. Não reluta nem por um segundo em expressar todos aqueles pensamentos, ela sabe que precisa colocar tudo aquilo pra fora de sua cabeça, mesmo que sem ser específica, sem citar nomes, sem ser extremamente realista com os fatos. Não se trata apenas de sua vida, existem tantas outras vidas conectadas em cada fato que ela julga ser relevante, imaginem quantas vidas podem existir dentro de um único desejo!
    Pensamentos desconexos a deixam um pouco confusa, fecha os olhos fazendo uma certa pressão na tentativa de que consiga não ser desviada para outros tantos problemas e situações que invadem seu cérebro. Ela tenta, mas já percebe que sua atenção já foi perdida para ele novamente. Ele é o culpado por fazê-la se perder naquele instante, e em tantos outros naquelas últimas semanas. Como não seria? Depois de tantos anos se deparar com um carinho tão imenso que ainda vive, mesmo que silencioso, em dois corações que se julgam tão perdidos pelo tempo e feridos por tantas tentativas fracassadas. Aqueles olhares que sempre denunciaram a vontade incontrolável da presença um do outro, a saudade por cada toque que há tempos já não se encostavam mais, e aquela carência mútua pelas vozes um do outro. Sim, pelas vozes que conseguem acalmar o coração de ambos como nenhuma outra foi capaz mesmo depois de tantos anos.
   Ela abre sua página na rede social, desliza seu olhar para os contatos online e lá esta ele, quieto no seu canto, assim como sempre foi, talvez apenas buscando alguma forma de passar o tempo assim como ela, ou a estaria testando. Sim! Quanto tempo seria capaz de ignorá-lo ali, não começar uma conversa, não lhe enviar alguma indireta? Poderia esse tipo de comportamento ser aceito com tanta facilidade como ser tão incrivelmente paranóico, mas são coisas que passam na cabeça de qualquer mulher em tais situações, ou ao menos na cabeça dela.
    Tudo bem, ele está ali, seguro, mas parece que não se encontra com muita vontade de conversar agora. Ela dá uma boa olhada na foto dele, nos olhos... sorri com um canto da boca, fecha a foto, sai da página e volta para seu texto. Sente que seu coração se acalmou, relembra uma conversa qualquer entre os dois há poucos dias, sente aquela alegria tomar conta por alguns instantes. Decide então parar de pensar nisso, volta para seu último parágrafo, lê novamente e recomeça a escrever.


quarta-feira, 26 de março de 2014

Universo particular

Acordar de um sonho do qual tu não se sentes bem é um pesadelo ou continua sendo um sonho? Incrível como os fatos e pessoas do seu cotidiano podem influenciar tão diretamente em teus pensamentos, decidindo se tua noite de sono será tranquila ou agitada. Meu corpo já perdeu a batalha para a minha mente há tempos, mesmo um dependendo do outro para tudo estar em ordem por aqui, não consegui achar uma forma para essa relação dar certo. Ambos sofrem, ainda mais em uma madrugada dessas onde são 5h e acabo de acordar assustada. É uma sensação horrível...
Uma vez assisti a um dos filmes inspirados em uma das obras de Stephen King, não tenho certeza se era “O apanhador de sonhos”, mas havia uma cena onde a personagem, em uma tentativa desesperada de inibir as ações de uma criatura ruim, organizava alguns milhares de arquivos em sua própria mente. Haviam diversos, cheios de pastas e subpastas que deveriam ser reorganizados antes do ataque da “criatura maligna”. Desta forma a personagem corria com os arquivos dentro de sua mente, escondendo aqueles “itens” mais preciosos de sua memória em um compartimento secreto, onde ninguém nunca teria acesso com exceção dela própria.
Pois bem, quem me dera ter tamanha concentração e conseguir reorganizar todos os meus arquivos. Quantos pensamentos ainda me torturam mesmo depois de tanto tempo, quantas ações deixo de fazer por conta de meus medos guardados de experiências anteriores, quantas pessoas ainda me atormentam com suas lembranças mesmo não fazendo mais parte de minha vida, ao menos não diretamente. São situações das quais eu poderia dizer que seria cômico se não fosse trágico...
Talvez essa minha desorganização total de pensamentos estejam também causando parte de minha infelicidade com a vida, até esses dias comentei com uma amiga sobre exatamente isso. Antigamente não pensava tanto nas coisas, apenas pautava minhas ações conforme os desejos que eu sentia. A satisfação poderia ser apenas momentânea, mas era o instante mais profundo de toda a minha vida. Entendem o que quero dizer? Eu realmente vivia um dia após o outro como se fosse sempre o último. Era excitante, louco, insano! Os melhores e piores dias que ainda posso me lembrar com total clareza dos fatos.
Hoje me sinto tão velha, desempolgada com o restante do mundo e com suas tentativas frustradas de tentar me animar. Não sei bem se é o mundo mesmo ou se sou apenas eu o “x da questão”, mas isso tudo, esse sentimento ruim, esse vazio constante e uma cabeça confusa que não consegue parar de pensar ainda irão me enlouquecer por completo. O que na verdade não seria nada ruim.

sábado, 22 de março de 2014

Inquietações - parte 2

O vento pode bater gelado ou quente,
O sol queimar ou apenas esquentar;
Tu podes se trancar no quarto ou sair de casa,
Podes encontrar alguém conhecido na rua ou somente andar.
Talvez alguém do seu passado ressurja ou nunca mais tu ouvirás falar,
Uma conversa pode durar horas ou em instantes acabar,
Com uma única palavra teu coração pode gritar ou apenas continuar a bater,
Quem sabe aquela pessoa resolva ser sincera ou apenas tentar te enganar novamente.
Depois da madrugada, fechar os olhos pode ser a morte ou um novo começo,
De repente o sonho pode ser bom ou ruim,
Há uma chance de ser verdade ou tu somente irás abstrair.
O dia amanhece e tu podes esquecer ou não esquecer,
Pensar ou não pensar,
Tentar ou não tentar,
Enganar a si mesma ou não,
Decidir continuar a viver ou não;

Escolha, faça sua melhor escolha e não se arrependa de nunca ter tentado.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Envelheço na cidade

     Lembro-me em minha adolescência de ouvir os outros, geralmente mais velhos que eu, dizendo que as atitudes e pensamentos se tornariam reais, assim como haveria um “julgamento” da vida a respeito de sua conduta. Se fosses bom com os outros, não sacaneasse nem nada do tipo certamente tua vida seria boa também, mas não bastava fazer o bem pensando na recompensa. Achava aquilo relevante, conhecia tanta gente aquele tempo que era “gente boa” e nunca fiquei sabendo de que algo ruim havia passado com elas.
     Agora que já sou adulta (ao menos é o que as estatísticas/teorias sobre idade mostram) entendo bem essa conversa toda. Passei por momentos inacreditáveis na vida de uma pessoa, horas que a única vontade é de “fugir para as colinas” e nunca mais voltar. Pessoas boas não deixam de se ferrar, de sentir tristeza e de chorar, na verdade é bem o contrário. Como o restante da população idiota no mundo não valoriza os sentimentos humanos sempre acaba sobrando para nós, como se fosse um fardo infindável da vida. Na verdade com o passar dos anos tu percebes que a única pessoa que saberá lidar com serás tu mesma, decidindo entre sofrer com isso ou tirar proveito e viver tranquilamente. Mas lembre-se, não é fácil.
     O que sempre esperei lá no fundo sendo a pessoa que sou era estar rodeada de pessoas semelhantes a mim, verdadeiras, alegres, positivas... somente isso. Talvez eu andasse tão preocupada com quem eu convivia, conhecia e me relacionava que perdi a noção do tempo. De repente eu já havia conseguido o que eu tanto almejava, bastou olhar pro lado e ali estavam eles. Amigos, irmãos, primos, pessoas tão queridas em meu coração que finalmente me fizeram entender o quanto estamos conectados nesta vida e que eu já não preciso ter medo. Foi realmente uma sensação maravilhosa, a única coisa que eu quis naquela hora foi me divertir com todo mundo e ver todos alegres assim como eu estava.

    Minha relação com aniversários sempre foi complicada demais pra ser entendida e muito pouco guardada em minha lembrança pra se ter orgulho. Na maioria das vezes me encontrava sozinha, tendo um dia como qualquer outro, sentindo aquele vazio querendo gritar... mas tudo bem, logo o dia acabaria e tudo passaria. Não é? Aqui entra a importância de se ter pessoas as quais realmente se importam contigo. Pela primeira vez fui surpreendida em “meu dia”, balões, chapeuzinhos, vela, bolo, tudo! Tudo pra mim! Inacreditável! Isso tudo idealizado pela pessoa a qual sinto um enorme carinho, coisa de irmã mesmo, que me conhece tão bem que na maioria das vezes não consigo ver minha vida sem ela. Minha querida, que me mostra todos os dias o valor que eu tenho pra ela e pra todos os meus amigos, me dando a certeza de que estou no caminho certo nesta vida. Foi uma noite linda, jamais irei esquecer esse gesto e todos que estavam envolvidos para a minha felicidade naquela noite. Só posso terminar esse texto dando a certeza de que ser uma pessoa boa não é perda de tempo, muito pelo contrário, se ganha muito mais coisas boas as quais sempre podemos passar a diante.